Associação Bahia da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Associação Bahia

EDUCAÇÃO ENTRE REDES

Por Me Daniel Pinheiro*

 

Como forma de fazer frente ao corrente processo de disciplinarização das ações de ensino nos contextos escolares brasileiros é bastante comum observarmos a articulação de grupos de professores de uma determinada unidade escolar em torno das chamadas “áreas do conhecimento”. Esse arranjo põe em diálogo professores da área das ciências humanas que, como é de se esperar, tendem a propor projetos juntos e manterem-se mais próximos dos colegas que compartilham de formação acadêmica similar. De igual modo, os colegas da área de exatas e das ciências da natureza organizam-se para discutir e criar experiências didáticas próximas dos conteúdos curriculares com os quais tem maior afinidade.

A coordenação pedagógica das unidades escolares busca atuar junto a estes profissionais para que também desenvolvam ações conjuntas, com caráter interdisciplinar, seja em atividades na sala de aula ou por meio de projetos com escala ampliada. No caso da Educação Adventista, em que há um foco na formação integral do ser humano, as aproximações entre professores de áreas distintas são uma demanda constante, decorrente de uma série de projetos integradores.

No campo da Associação Bahia, algumas iniciativas ligadas à formação continuada de professores, tem evidenciado que, na tessitura desse modelo de atuação conjunta, são constituídas pequenas redes em que sujeitos diferentes, com áreas de atuação profissional muito peculiares, operam em função de propósitos semelhantes por meio do compartilhamento de conhecimentos e da mediação da equipe de gestão escolar. Temos percebido que esta conexão “entre os diferentes” oferece ricos elementos para a constituição de redes – espaços de integração entre os sujeitos a partir do estabelecimento de vínculos profissionais e afetivos. É recorrente que os vínculos emergentes destas redes extrapolem o universo profissional levando aos mais diversos desfechos – desde projetos acadêmicos muito bem sucedidos, até decisões que transcendem o plano material e chegam a transformar a vida espiritual.

Este ambiente de partilha e crescimento é muito caro à educação adventista, onde não somente os alunos são convidados a imergir numa vivência integradora mas também os profissionais que dedicam suas capacidades à esta obra. Nestes tempos de cibercultura, as redes digitais têm se constituído numa verdadeira fonte de fomento à estas experiências de integração. Na vivência escolar, elas podem ser úteis justamente por favorecer aproximações que, em certa medida, ultrapassam os limites do tempo-espaço linear.

São inúmeras as formas de articular estas redes de pessoas através das redes digitais – grupos em aplicativos de mensagens (Whatsapp, Telegram, etc) e nas redes sociais (Facebook, Google Plus, etc), páginas destinadas ao compartilhamento de recursos educacionais, além dos espaços síncronos de diálogo, tais como os webchats e mensageiros instantâneos também disponíveis nos aplicativos de rede social. Ainda que seja preciso reconhecer alguns excessos cometidos por colegas em fase de adaptação dos ambientes online, tais como os famigerados textos/imagens/links de cumprimento com “bom dia, “boa tarde”, ou que repercutem as chamadas “correntes”, não podemos deixar de admitir que a mobilização e mesmo a convivência entre as redes de pessoas em função de um propósito comum, neste caso educacional/profissional, tem sido largamente incrementada com a consolidação da cultura digital.

Nesse processo, já percebemos lampejos do que acreditamos ser o próximo estágio no qual os sujeitos não apenas irão se lançar sobre a rede, para explorá-la, conhecê-la, aproveitando de seus potenciais, mas também “lançarão as redes”, parafraseando a indicação de missão preconizada por Cristo (Luc. 5:4). Ainda que seja relevante o uso profissional e para ampliação dos saberes, uma outra articulação que é muito bem-vinda é aquela que mobiliza as pessoas para que conheçam as boas novas de salvação. Explorar os potenciais da rede internet com essa finalidade, iniciativa ainda tímida entre as instituições escolares de perfil confessional, mostra-se um horizonte muito profícuo para Educação Adventista, cujas bases estão assentadas nas pretensões divinas de redenção do homem. No século XXI, tendo por referência primeira a cosmovisão bíblica que defendemos, é possível concluir que – para “fazer educação”, é indispensável estar incluído e/ou criar uma rede – de pessoas, em franco diálogo com as redes – digitais, interconectadas.

 

 

 

* Coordenador Pedagógico do Projeto de Integração das TIC à Educação Adventista

Associação Bahia.

 

Links para as matérias mencionadas

http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/educacao/alunos-do-colegio- adventista-sao-medalhistas-em-competicao-internacional-de- matematica/ http://noticias.adventistas.org/pt/noticia/educacao/aluna-influencia- professor-ao-batismo-e-trabalhar-na-educacao-adventista/